A FERRAMENTA “PERDAS E GANHOS”

Antes de tomar uma decisão difícil para nós, somos deparados com os possíveis ganhos e perdas que teremos ao fazer algo que pretendemos e alcançar determinado objetivo que desejamos. E isso, muitas vezes, se torna uma tarefa tão árdua e complicada, já que se passam um turbilhão de pensamentos na nossa cabeça, que ficamos paralisados diante das possibilidades e não conseguimos entrar em ação. A ferramenta “Perdas e Ganhos”, neste sentido, é excelente para auxiliar a analisar os cenários, ponderar melhor as implicações de nossas decisões e conseguir escolher um caminho mais assertivo e eficaz de acordo com nossos objetivos. Faça já o download da ferramenta e facilite seu processo de decisão.

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ENTENDENDO O QUE ESTÁ POR TRÁS

O que é preciso ter em mente é que os dois elementos básicos que condicionam e determinam a tomada das nossas decisões são a “dor” e o “prazer”. Estes são processos mentais que não se encontram em um nível racional, eles acontecem principalmente de forma inconsciente, sem que possamos perceber ou nos dar conta. E ambos podem ora nos motivar, ora nos sabotar. O que acontece é que nem sempre nos movimentamos em direção àquilo que poderemos ganhar de bom, ou seja, motivados pelo prazer. Em determinadas situações, somos direcionados pelas dores: queremos evitar algo de ruim que nos aconteceu no passado ou simplesmente temos medo de algo ruim que poderá nos acontecer decorrente da decisão. Por exemplo, às vezes, nos focamos tanto nos aspectos negativos que teremos como resultado da decisão, que acabamos nos sabotamos e não conseguindo nos decidir se de fato queremos ou não aquilo. O que complica nossa decisão é que fazendo ou não o que pretendemos, teremos em cada um dos lados determinados ganhos (aspectos positivos) e determinadas perdas (aspectos negativos). Ter clareza sobre cada um destes aspectos é fundamental para facilitar o processo decisório.

PREENCHENDO A MATRIZ

A ferramenta “Perdas e Ganhos” é basicamente composta de uma matriz 2 x 2 (contendo quatro quadrantes) que cruzam informações relacionadas ao que se ganha e ao que se perde FAZENDO algo que pretendemos versus o que se ganha e o que se perde NÃO FAZENDO aquilo que pretendemos (ou que achamos que pretendemos). Veja abaixo o modelo e entenda o que representa cada um dos quadrantes. Depois de elencar todos os fatores, tente responder às perguntas poderosas elencadas.

  1. Motivadores pelo prazer: a pergunta chave para responder ao quadrante número 1 é a seguinte: “O que você ganha se fizer o que pretende?“. Neste momento é importante elencar todos os benefícios que você terá caso tome a decisão favorável. Vamos preencher pensando em algum exemplo. Imagine uma situação em que alguém recebe uma proposta para trabalhar em uma nova área (a dos seus sonhos!) em outro país. Analisando a proposta, pensando em aceitá-la, por exemplo, a pessoa identifica que: esta nova área é muito mais interessante para ela, alcançará realização pessoal e profissional, conhecerá novas pessoas e culturas, viverá com melhor qualidade de vida, terá melhor padrão de educação e saúde para os filhos, entre muitos outros fatores.
  2. Sabotadores pela dor: a pergunta para responder este quadrante é: “O que você perde se fizer?“. Imaginemos que mesmo com vários fatores positivos, a pessoa terá que abrir mão de algumas coisas. Por exemplo: precisará mudar o estilo de vida, terá se capacitar mais para atuar numa nova área, terá que enfrentar climas diferentes (invernos mais rigorosos), ter que vender o carro, enfrentará dificuldade de adaptação das crianças (filhos) e por aí vai.
  3. Sabotadores pelo prazer: Aí, com base nestes fatores negativos, já abre o ganho para pensar em não aceitar a proposta. Refletindo: “O que você ganha se NÃO fizer?“. Pode pensar: não precisar sair da zona de conforto, manter-se próximo da família e dos amigos, estabilidade de moradia, entre outros.
  4. Motivadores pela dor: Por último, mas não menos importante, é preciso responder a este questionamento: “O que você perde se NÃO fizer?“. A pessoa perde a chance de trabalhar com a área dos seus sonhos, perde de viver em um país com melhor segurança e infraestrutura, perde de crescer na carreira e viver novos desafios, entre outros.

REFLEXÕES

Nossas decisões, por mais simples que pareça aos olhos de outras pessoas, e por mais que escutemos comentários como “se eu fosse você, faria tal coisa…“, parecem ser extremamente complexas, difíceis e complicadas de serem tomadas. É importante ter em mente que independente das nossas escolhas, precisaremos estar dispostos a “pagar o preço” do que é preciso para realizar o objetivo, mas não esquecendo de focar nos aspectos positivos das nossas decisões e nos maiores benefícios que teremos (se colocarmos em uma balança). Isso porque um dos nossos maiores medos que temos de enfrentar é o do arrependimento… Trata-se do nosso fantasma e maior inimigo, o famoso “E SE…. Mas e SE…”. Hipotetizamos todos os possíveis cenários (por mais irracionais que possam parecer algumas indagações), já que somos orientados por nosso subconsciente. É por isso que precisamos ponderar, analisar, escolher um caminho e arriscar. Minimizar as perdas e encontrar ganhos secundários ou outras saídas que possam amenizar as perdas e potencializar os benefícios são essenciais. Teremos assim uma sensação e relação melhores com as nossas decisões e escolhas – de aceitação, aprendizado, gratidão e amor (próprio e com o próximo).

PERGUNTAS PODEROSAS

  • Minimização das perdas (reduzir os sabotadores pela dor): O que você pode fazer para minimizar as possíveis perdas que você terá caso faça o que pretende fazer?
  • Manutenção dos ganhos (reduzir os sabotadores pelo prazer): Caso não faça o que pretende, você terá ganhos. Mas que outros ganhos secundários você pode ter para substituir os ganhos atuais e continuar ganhando fazendo o que pretende?
  • Congruência sistêmica: Isso que você pretende fazer ou resultado que espera atingir afeta negativamente também outras pessoas ou o meio do qual você faz parte? Se sim, como afeta?
  • Ajuste de objetivo: Caso afete negativamente, que alterações você pode realizar no seu objetivo para que afete positivamente as outras pessoas e o seu meio?

 

TEXTO por RAQUEL RODRIGUES

Baseado nas perguntas do livro Personal & Professional Coaching da Editora SBCoaching.