A FERRAMENTA “JANELA DE JOHARI”

A Janela de Johari (Johari Window) é uma ferramenta conceitual de fácil aplicação e com um poder de feedback reflexivo e transformador, cujos objetivos são aprofundar na autoimagem, na autoconsciência e no entendimento mútuo dentro dos processos de comunicação e das relações interpessoais (entre pessoas ou grupos). A ferramenta foi desenvolvida pelos psicólogos americanos Joseph Luft e Harry Ingham, publicada no ano de 1955, como fruto de suas pesquisas na Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Permite desenvolver mais conhecimento e senso crítico no que diz respeito aos comportamentos, atitudes, empatia e às principais características pessoais que contribuem ou prejudicam na sua imagem e nas suas relações com outras pessoas ou grupos. É uma ferramenta extremamente interessante tanto para autoconhecimento como para desenvolvimento de líderes e equipes. Faça aqui o download da ferramenta e fique atento nas instruções para aplicá-la já (na sua vida ou na sua empresa)!

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PREENCHENDO A JANELA

A sua identidade e a sua imagem são construídas pelo conjunto de suas qualidades, atribuições e características específicas que fazem de você um ser reconhecível e exclusivo no mundo, com história própria e experiências únicas. Algumas de suas características são tão evidentes, que todos reconhecem, inclusive você. Outras você nem percebe que tem, mas deixa transparecer para os outros. Algumas você guarda e esconde para si próprio, não são reveladas. E algumas estão guardadas no seu inconsciente, ou seja, nem mesmo você sabe que as tem e muito menos do que é capaz até que de fato até que descubra. A janela é composta de quatro regiões, chamadas também de áreas ou quadrantes. Cada uma destas regiões apresentam informações sobre a pessoa (personalidade, visões, valores, qualidades, defeitos, etc.) que podem ser conhecidas ou desconhecidas por ela mesma, e conhecidas ou desconhecidas pelas outras pessoas, formando as seguintes possibilidades:

  • (1) EU ABERTO (open area): conhecidas por todos, tanto pela própria pessoa, como pelos outros
  • (2) EU CEGO (blind area): desconhecido pela pessoa, conhecido pelos outros
  • (3) EU SECRETO (hidden area): conhecido pela pessoa, mas os outros desconhecem
  • (4) EU DESCONHECIDO (unknown area): desconhecido por todos

Janela de Johari - Projete Você

Em primeiro lugar, para aplicar a ferramenta, é importante que sejamos desprovidos de julgamentos ou de interpretações subjetivas, além de evitarmos ficar chateados, com raiva ou frustrados com determinadas pessoas ou indignados com respostas coletadas. A busca pelo feedback da ferramenta é importante não só para aprendermos a aceitar a percepção e a imagem que os outros têm de nós mesmos (por aquilo que transparecemos ser) e também aprendermos a valorizar a importância das críticas construtivas para o nosso desenvolvimento pessoal e profissional. A partir da aplicação desta ferramenta, é possível: obter maior nível de autoconhecimento, permitindo analisar como nossos comportamentos e atitudes afetam as pessoas ao nosso redor e traçar estratégias adequadas para melhorar a qualidade das nossas relações interpessoais.

Existem várias maneiras de se preencher esta ferramenta, dependendo do objetivo de sua utilização: querer conhecer melhor sua imagem e seus comportamentos ou querer melhorar a comunicação entre pessoas dentro de uma equipe ou organização. Nesta sequência, repassarei como aplico com os meus clientes, voltado para suas vidas e para o desenvolvimento de suas competências. Normalmente, eu repasso uma lista guia de qualidades, contendo duas páginas. Uma focada em características mais positivas, nomeadas como “pontos fortes” e outra com qualidades que podem interferir negativamente em sua vida, chamadas de “pontos de melhoria”. É bem sabido que tudo depende do contexto e da situação, mas o que precisa ser analisado é o excesso ou desequilíbrio dessas qualidades. Por exemplo, apresentar um pouco de ciúme pode ser considerado saudável, já ser muito ciumento pode gerar conflitos e desequilíbrio. Do mesmo jeito que ser altruísta é excelente, sê-lo em demasia pode gerar anulação e egoísmo com si próprio. Lembre-se: tudo deve ser balanceado e moderado. Então, seguem os passos! Obs.: faça o download da lista guia de virtudes e defeitos aqui:

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  1. A IMAGEM QUE VOCÊ TEM DE VOCÊ MESMO: em cada página, circule as características ligadas a quem você é, ou seja, aquelas que você sabe que possui ou julga possuir. Observe as qualidades (virtudes e defeitos) que mais tem a ver com sua personalidade, seus valores, suas crenças, seus comportamentos, sentimentos, entre outros. No próximo passo, daquelas circuladas, selecione apenas 10 (DEZ) virtudes e 10 (DEZ) defeitos que mais lhe representam e sintetizam.
  2. A IMAGEM QUE OS OUTROS TEM DE VOCÊ: Escolha, do seu círculo de relacionamentos, 5 pessoas mais próximas a você, que lhe conhecem bem e nas quais você possa confiar. Entregue a ficha das duas páginas (virtudes e defeitos) em branco e solicite que preencham executando o mesmo procedimento. Informe que devem selecionar 10 de cada e as respostas serão anônimas. Coloque dentro de um envelope e lacre, se assim ela se sentir mais confiante e tranquila para responder com sinceridade e desprendimento. Lembre-se que este feedback é importante para ajudar você a potencializar sua comunicação e suas relações interpessoais!
  3. COMPARANDO AS RESPOSTAS: Compare as respostas dos outros com as suas respostas. O que tiver em comum e contabilize o que mais aparecer, será parte do “eu aberto”. O que as outras pessoas preencheram e você não, faz parte do seu “eu cego”. O que você preencheu e ninguém elencou, diz respeito ao seu “eu secreto”. E o “eu desconhecido”? Ainda será uma incógnita. Outras ferramentas serão necessárias para descobri-lo…

ANALISANDO CADA ÁREA DA JANELA

I. O “EU ABERTO” é público, trata-se de tudo aquilo que você sabe e conhece sobre si mesmo e deixa transparecer para as pessoas. Ou seja, a imagem que você tem de si próprio é congruente com suas próprias atitudes, comportamentos, caráter e qualidades. É considerada uma área livre, já que oferece maior espaço para transparência, diálogo, boa comunicação e cooperação entre os relacionamentos. Por ser de comum acordo entre todos, diminui o espaço para possíveis conflitos, mal-entendimentos, confusões ou clima de desconfiança. Dentro das empresas, é importante conhecer esses dados para usá-los na promoção de canais de comunicação mais abertos, positivos, construtivos e em congruência com os valores, a missão, a visão, os objetivos e a cultura da organização.

II. O “EU CEGO“: este aqui apresenta tudo aquilo que os outros percebem e conseguem ver sobre você, mas que você mesmo desconhece. Isso pode acontecer porque você não percebe, não tem consciência ou conhecimento sobre, não aceita ou simplesmente não quer ver. Além dos seus próprios comportamentos, o “eu cego” é percebido pelo seu discurso, pela forma de falar, pela maneira em como você se expressa (postura, comunicação verbal e não verbal – gestos e expressões faciais) e pela forma como você comunica as ideias em que acredita e reage diante das situações. Por exemplo: você pode acreditar ser uma pessoa extremamente calma e tranquila, mas no cotidiano se irrita com algumas pequenas coisas e reage com um comportamento um pouco agressivo ou apático. O “eu cego” acontece, muitas vezes, porque projetamos uma imagem sobre aquilo que gostaríamos de nos tornar, mas SEM necessariamente SER como gostaríamos, passando informações incongruentes entre o que acreditamos ser/fazer e o que somos/fazemos DE FATO na prática.

III. O “EU SECRETO” são características guardadas pela própria pessoa, ou seja, ela não deixa transparecer nem permite que os outros tomem conhecimento. Essas informações, sentimentos ou pensamentos são mantidas em “segredo”, e podem não ser reveladas por várias razões. A primeira delas é não querer revelar algo para os outros, por exemplo: pelo fato de não querer receber julgamento, por medo das reações dos outros ou de ser prejudicado, por uma preocupação com a própria imagem ou reputação, entre muitas outras (por exemplo: ciúme, carência, medo, entre outras). Em outros casos, o “eu secreto” pode acontecer simplesmente porque não demonstramos bem ou não deixamos transparecer o suficiente determinadas características que gostaríamos de ter ou quem gostaríamos de ser. Por exemplo, uma pessoa pode se considerar extremamente criativa e inovadora, mas, no fundo ter resistência à mudança e preferir medidas mais estáveis e conservadoras. Nesta região, nosso eu que está oculto não está em congruência com nossas atitudes, comportamentos, etc.

IV. O “EU DESCONHECIDO“, conforme próprio nome já diz, é a área desconhecida pela própria pessoa e pelos outros. São áreas ainda não exploradas, podem ser: aspectos profundos da sua personalidade; habilidade subestimada e não valorizada por falta de oportunidade, incentivo e treinamento; pré-disposição e facilidade natural a determinada aptidão que ainda não conheça; baixo nível de autoconhecimento da pessoa, entre muitas outras possibilidades. Inclusive, um alerta, podem ser sentimentos reprimidos no subconsciente de experiências traumáticas, criando gatilhos de comportamentos não desejáveis (neste caso específico, esta ferramenta não é indicada para trabalhar este fato, é preciso de acompanhamento especializado com psicológico, terapêutico, etc.).

PERGUNTAS PODEROSAS

  • Quais são as características do seu “eu aberto”?
  • Quais são as características do seu “eu cego”?
  • Quais são as características do seu “eu secreto”?
  • O que você está transparecendo, não sabia, mas que gostaria de mudar?
  • O que você não está transparecendo e gostaria que os outros soubessem?
  • O que você pode fazer para mudar isso?
  • Como esta ferramenta pode lhe auxiliar a melhorar suas relações com você mesmo?
  • E com as outras pessoas?
  • O que você aprendeu com essa ferramenta?
  • Qual imagem que você gostaria de construir de si mesmo?

 

TEXTO por RAQUEL RODRIGUES